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Os Desafios
Há inadequação cada vez mais ampla, profunda e grave entre os saberes separados, a hiperespecialização, impede de ver o global (que ela fragmenta em parcelas), bem como, o essencial (que ela dilui). O desafio da globalidade é também um desafio de complexidade. Os desenvolvimentos disciplinares das ciências não só trouxeram as vantagens da divisão do trabalho, mas também os inconscientes da superespecialização, do confinamento e do despedaçamento do saber. Não só produziram o conhecimento e a elucidação, mas também a ignorância e a cegueira. Em tais condições, as mentes jovens perdem suas aptidões naturais para contextualizar os saberes e integrá-los em seus conjuntos. Existe também a expansão descontrolada do saber. O crescimento ininterrupto dos conhecimentos constrói uma gigantesca Torre de Babel, que murmura linguagens discordantes. Além disso, os conhecimentos fragmentados só servem para usos técnicos. O desafio cultural, sociológico e cívico, todos agregados voltados para o poder, torna-se impossível democratizar um saber fechado e esotérico. A reforma do pensamento é que permitir o pleno emprego da inteligência para responder a esses desafios e permitiria a ligação de duas culturas dissociadas. A reforma do ensino deve levar à reforma do pensamento, e a reforma do pensamento, deve levar à reforma do ensino.
Cabeça bem-feita
“Mais vale uma cabeça bem-feita do que uma cabeça bem-cheia”. Com essa máxima podemos observar que saber acumulado, empilhado, de nada resolve, em vez de acumular o saber, é mais importante dispor ao mesmo tempo de aptidão geral para colocar e tratar os problemas; e de princípios organizadores que permitam ligar os saberes e lhes dar sentidos. Uma cabeça bem-feita é uma cabeça apta a organizar os conhecimentos e, com isso evitar acumulação estéril. Nossa civilização é, por conseguinte nosso ensino privilegiam a separação em detrimento da ligação e a análise em detrimento da síntese. Esse subdesenvolvimento da ligação e da síntese é um empecilho para o progresso da educação, e a sua solução se encontra na contextualização e globalização dos saberes. Tal solução deriva-se de um pensamento ecologizante, no sentido que situa todo acontecimento, informação ou conhecimento em relação de reciprocidade com seu meio ambiente, ou seja, como bem prescrevera Pascal: “considero impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, assim como conhecer o todo sem conhecer, particularmente, as partes”. A cabeça bem-feita é reforçada na década de 50 do nosso século, a partir do momento que a revolução científica é acompanhada pela máxima “não há falar do todo sem a parte, e vice-versa”. Assim surgem novas ciências como a Ecologia, Cosmologia e Ciências da Terra. Tratam nada mais do que ciências multidisciplinares, multidimensionais, que respondem a altura ao predisposto de Pascal, cada uma em sua área, todavia contribuindo para a inteligência geral, a aptidão para problematizar, a realização da ligação dos conhecimentos. Enfim, óbvio fica que a cultura científica deve concomitantemente à cultura humana almejar as respostas aos demasiados desafios de nossa época, sejam esses, sociais, ambientais, culturais, econômicos, independe, uma vez que, estão todos interligados.